Pouco a pouco, a RECRIE vai ganhando sua forma: disforme, é evidente (nem queremos o contrário), mas longe de um mero amontoado. Uma remodelação do Conselho Editorial anuncia o projeto editorial – e o próximo número, um número múltiplo, ao mesmo tempo, revista, congresso, CD.
Um projeto de recriação. Habitar este espaço que se coloca entre o passado e o futuro, traz consigo a exigência de reinvenção constante do que chamamos de presente. Não podendo se valer mais da tradição e de seu veículo transmissor (a experiência), uma tal tentativa de recriar já é em si sempre dupla: um discurso que não se diferencia de uma prática. Teoria-práxis que poderia ser sumarizada – no Juízo Final, ou seja, agora – da seguinte forma: revelar a contingência por trás de todo instante que aparece como necessário. Jovens pesquisadores pensando a potência.
Não haveria como esta tarefa implica postulações éticas. Se a passagem do Estado ao Mercado já é um fato dado – ainda que poderia não sê-lo – desde quando isto torna obrigatório encararmos a cultura como lazer (entretenimento, ou de modo mais claro, consumo)? Tal é a principal lição que podemos tirar de Fábio Brüggemann. Talvez seja preciso ir além e questionar a própria binariedade da opção – Estado ou Mercado, como se fossem as nossas únicas escolhas. Houve arte – e vida – antes do Estado.
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