Da primeira para esta segunda edição, o leitor da RECRIE encontrará uma notável mudança em relação ao conteúdo: a divulgação do número inaugural da Revista ampliou seus antes parcos e restritos horizontes, o que fomentou o envio de um grande número de colaborações, de várias partes do país, permitindo uma escolha mais criteriosa dos textos agora publicados.
A seção de debates, aqui inaugurada, fará rodízio com a Entrevista: aquela presente nos números pares da RECRIE, essa nos ímpares. A temática deste primeiro debate diz respeito ao fim (?) do marxismo: o título “o marxismo morreu, mas juro que não fui eu” – que motivou debates e discussões dentro do próprio Conselho Editorial – foi escolhido não para demarcar uma posição dos editores (apesar de alguns integrantes concordarem e defenderem essa tese), mas em especial para provocar. Infelizmente, a provocação não surtiu tanto efeito, o que nos desapontou – ainda mais tendo em vista o lugar onde a RECRIE surgiu (e ainda o local de sua circulação majoritária), a UFSC, onde um bom número de grupos de estudantes marxistas (fomentados por professores “gabaritados”) atua.
Por fim, umas palavras sobre o nome de nossa revista: “RECRIE – Revista Crítica Estudantil”. Sabemos da impossibilidade da institucionalização do crítico: a simples existência de uma teoria crítica traz consigo o perigo da crítica se converter naquilo que combate: a dogmática. A crítica que fomentamos não acreditamos poder se dar na forma de um saber, mas de intervenções. Intervenções que não colocam ou demolem um entido, mas que disseminam sentidos, produzem sentidos, recriam sentidos (sempre no plural). Intervenções críticas que abrem portas na esperança de que, por alguma delas, seja possível vislumbrar uma nova humanidade – que vem. |